Edital MCT/CNPQ 14/2008 Universal Processo 470333/2008-1



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11 de agosto de 2012

Elogio da Traição (São Luís 400 anos)


O PASSADO DEVE SERVIR PARA ALGUMA COISA

Alexandre Fernandes Corrêa

Os leitores que hoje possuem mais de 40 anos já devem ter ouvido falar da peça de teatro chamada Calabar, escrita por Rui Guerra e Chico Buarque e dirigida por Fernando Peixoto em 1973. Devido a censura da ditadura militar só foi encenada ao público em 1980. A lembrança desse texto teatral, nesse momento de debates e discussões, sobre a fundação francesa ou portuguesa da cidade de São Luís, nos parece oportuna. Os debates sobre o tema das origens míticas ou históricas da capital maranhense têm adquirido sobressaltos um tanto dramáticos; com partidários apaixonados dividindo-se entre duas posições divergentes: de um lado, a defesa glamourosa dos fundadores franceses (francofilia); de outro lado, os mais tímidos defensores dos portugueses (lusofilia). 
O curioso é que nesse drama semelhanças há com a história de Recife e Olinda, estudadas por nós quando pesquisamos em Pernambuco no final dos anos de 1980. Ao realizar um trabalho de pesquisa antropológico nos famosos Montes Guararapes - nos quais se realizaram as memoráveis batalhas pela expulsão dos holandeses - pudemos constatar que ainda há reminiscências profundas do mesmo conflito entre duas versões de fundação e identificação histórico-cultural. Em Pernambuco encontramos também um dilema parecido, tratado no fundo da peça teatral referida acima. Os autores do espetáculo perguntavam a todos: a qual senhor europeu o Brasil deveria servir? O Brasil - projeto de futura luta nativista pela Independência - teria sido melhor colonizado por holandeses do que pelos portugueses?
No ensaio Festim Barroco (Corrêa, [1993] 2008), nós traçamos algumas considerações críticas sobre as versões histórico-culturais desse conflito, considerando suas conversões míticas e simbólicas mais sobressalentes. Creio que podemos então tirar algumas lições desse trabalho, através do exercício da mitanálise, tomando foco agora sobre os nossos atuais estudos dos mitos e dos ritos de fundação da capital ludovicense.
A personagem histórica Domingos Fernandes Calabar foi utilizado por Chico Buarque e Rui Guerra, no início da década de 1970, como agente de crítica ao momento pelo qual passava o nosso país sob o jugo severo do regime ditatorial militar - período em que eram comuns os usos das metáforas nas produções artísticas a fim de, por um lado, burlar a censura rigorosa do sistema e, por outro, denunciar a situação atual. Na peça encontramos distorções históricas importantes, com intuito deliberado de causar espécie de inquietação, com muita força dramática; licenças mais que compreensíveis naquele contexto. Quando aqui forçamos alguma comparação com o que foi tratado nessa obra, é no sentido de provocar uma movimentação no nosso imaginário social sobre a questão em voga. Afinal, realmente há semelhanças que nos suscitam comparações intrigantes. Em Pernambuco, ainda hoje é comum ouvirmos elogios as possibilidades de maior desenvolvimento de Recife e Olinda, caso os holandeses continuassem como senhores, ao invés dos lusitanos ou ibéricos. Invocam-se as ciências e as artes promovidas pelo "grande" Maurício de Nassau; o esclarecimento dos empreendedores batavos e judeus, em harmonia empresarial; e muitas outras vantagens modernistas e capitalísticas que os holandeses teriam sobre os atrasados, semi-feudais e barrocos portugueses ou espanhóis. 
Em São Luís parece-nos que o ‘elogio da traição’ às origens lusitanas e ibéricas graça com força, ao ponto de ser oficializada a sua fundação por franceses. Contudo, em Pernambuco jamais essa traição ganhou apoio institucional; aliás, naquele estado da federação as Forças Armadas celebram as suas origens, fincadas nas batalhas dos Montes Guararapes, em rituais de rememoração teatralizados, com grande pompa e ostentação espetacular; comemorando a expulsão dos invasores holandeses. Todavia, sempre que pensamos nessas celeumas históricas, fantasiando sobre as faustosas vantagens que poderíamos obter caso fossemos colonizados por franceses ou holandeses, lembramos dos nossos países de fronteira ao norte: as Guianas! Parece que nenhum desses três países colonizados por europeus não-ibéricos são exemplos de alto desenvolvimento nos trópicos. Os defensores de “senhores melhores e mais esclarecidos” se esquecem de visitar os índices de desenvolvimento humano (IDH) desses países fronteiriços colonizados, e alguns deles, ainda submetidos, as três metrópoles europeias tão exaltadas pelos anti-ibéricos: Inglaterra, França e Holanda!
Voltando para a peça teatral, no meio do ATO I, no diálogo entre Mathias Albuquerque (ex-governador de Pernambuco) e a personagem que representa o Holandês, diz-se: “No fim das contas o passado deve servir para alguma coisa...” (2006, p. 45). E como tem servido ultimamente! Pode parecer irônico, mas em São Luís ocorre um fenômeno interessante; enquanto em Recife e Olinda (Pernambuco) se expressa sorrateiramente, e as vezes bem queixosamente, a infelicidade de termos caído "de novo" nas mãos ibéricas, no período designado de ‘Restauração’ (que começa com a expulsão dos holandeses em São Luís!); entre os maranhenses, desde 1912, ao se escolher o ‘pai’ fundador, deu-se atestado ao gaulês. No nosso pacto edípico firmado no começo do século XX, as elites hegemônicas entronizaram os francos como os "verdadeiros" fundadores da cidade e da capital do Estado do Maranhão e Grão Pará. A ‘traição’ foi legitimada e, sem resistências contundentes, percorreu o tempo em celebrações cada vez mais espetaculares, culminando com a apoteótica consagração em 1962! Agora, em 2012, prenuncia-se nova espetacular encenação cívica! Dessa vez, ao que parece, com algumas resistências de membros de academias científicas e de universidades públicas, engrossando as falanges dos descontentes com essa ‘traição’ ou “mistificação francófila”: não querem deixar passar para o século XXI tal atentado aos princípios da historiografia e da verdade histórica.
Reler a peça Calabar: o Elogio da Traição, hoje, é um exercício para o espírito que fará muito bem a todos; movimentando nossa musculatura ética e sacudindo nossa mente das poerias e teias de aranha das velhas e costumeiras ideias, repetidas ad nauseam. Trata-se de uma obra inteligente e sutil que coloca em foco; como escreveu Fernando Peixoto: “o comportamento dos homens entre si, observados numa determinada circunstância histórica. Essa postura traz o texto até nossos dias”. 
Sem dúvida, diga-se de passagem, tal objetivo é alcançado com maestria. E vemos até que, no que tange aos entrelaçamentos dos mitos individual e coletivo, comentados em outro artigo nosso, um dos autores da obra traz no nome a marca desse enlaçamento mitológico. O que nos faz relembrar de Mircea Eliade, quando escreveu: “É por isso que o inconsciente apresenta a estrutura de uma mitologia privada. Podemos ir ainda mais longe e afirmar não só que o inconsciente é ‘mitológico’, mas também que alguns dos seus conteúdos estão carregados de valores cósmicos, isto é, que eles refletem as modalidades, os processos e o destino da vida e da matéria viva. Podemos até dizer que o único contato real do homem moderno com a sacralidade cósmica se efetua através do inconsciente, quer se trate dos seus sonhos e da sua vida imaginária, quer das criações que surgem do inconsciente (poesia, jogos, espetáculos, etc.)” (Eliade, 2000, p. 68-69). Citação que cai perfeitamente no caso, tal como uma mão na luva! 
Vimos analisando os mitos, os ritos, as versões históricas e historiográficas, e os discursos de fundação da cidade de São Luís, há alguns anos, e consideramos que nossa contribuição torna-se significativa e útil na medida em que pretende alargar nossos horizontes para além das obviedades e da dimensão anedótica. Nessa trilha analisamos os contornos desses debates e pontuamos aspectos muitas vezes encobertos e negligenciados; afinal, o inconsciente social é dinâmico e não convêm posturas reducionistas no seu trato. O desafio é trazer à tona continentes subterrâneos que subjazem aos enunciados tomados como naturais e óbvios; trabalho que demanda tempo de elaboração e profunda escavação na história cultural.

Referências

BUARQUE, Chico. Calabar: o elogio da traição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
CORRÊA, Alexandre Fernandes. Festim Barroco. São Luís: EUFMA, [1993] 2008.

ELIADE, Mircea. Aspecto do mito. Lisboa: Edições 70. [1963] 2000.

12 de maio de 2012

Amazônia - Patrimônio Ambiental e Cultural, para quem?‏


Prezados,

A notícia em relação ao "tombamento" do Encontro das Águas dos Rios Solimões e Negro no Estado do Amazonas me lembrou, em alguns momentos, aquela famosa manifestação de Cristovan Buarque em resposta a um estudante norte-americano sobre a preservação da Amazônia; que todos conhecem, pois circulou na internet, sendo considerado um dos documentos mais lidos na rede.

Vamos "Tombar a Amazônia" para quem?

Trata-se da recente "LIMINAR do STF que IMPEDE OBRAS NA REGIÃO DO ENCONTRO DOS RIOS NEGRO E SOLIMÕES"...

O STF através da decisão do ministro Dias Toffoli determinou a suspensão da ação de anulação ajuizada pelo Estado do Amazonas, por entender que ficou configurado conflito entre o ente federativo e a União, caso em que o julgamento é de competência do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o artigo 102, I, "f", da Constituição Federal

Não tenho competência jurídica para debater os aspectos técnicos da decisão, mas como possuo estudos livres sobre política do patrimônio cultural e ambiental, gostaria de colocar algumas apreensões quanto a esses processos de "tombamento" em curso.

O IPHAN está com o processo em andamento e o Estado do Amazonas entrou com uma ação na Justiça Federal do Amazonas, e conseguiu  suspender o processo de acautelamento. O STF, por questões de competência jurídica, suspendeu a decisão da Justiça Federal do Amazonas.

Qual é o problema aí? O que pode interessar um sociólogo, um processo desse? Ora, muito! Pois, o "tombamento" pode significar a tentativa de "congelar" a história o uso da "paisagem cultural e natural" do Estado pela sua população!

O IPHAN desse modo vai interfirir no processo de decisão quanto ao uso da "paisagem" para a história do Estado do Amazonas! Para (stop) a História: congela, patrimonializa, petrifica... Como fica a sociedade local? Ela participa desse processo?

O Estado do Amazonas, como ente federativo, através de seus representantes legais contestam tal "tombamento". Parece que o problema técnico está no foro em que foi encaminhado a ação de suspensão. Mas, fica a questão: não seria correto fazer um PLEBISCITO para decidir algo dessa monta? Os conselheiros do IPHAN é que devem ter o poder de decidir algo desse porte? A União, através do IPHAN, vai decidir o futuro ambiental e cultural do Estado do Amazonas?
Quem são os conselheiros do IPHAN: os colegas sabem seus nomes? Quem os indicou? Representam o quê, e quem? A população brasileira sabe o nome desses conselheiros?
Esse tipo de situação política e cultural, e ambiental, mereceria um debate mais aberto, democrático; no mínimo...
Não pode ser uma decisão tecnocrática e nem palaciana, deve ser aberta...

Vamos "Preservar a Amazônia" em que termos? Qual o projeto em causa?

"Tombar a Amazônia" é a solução? PLEBISCITO JÁ!

Bem, vou ficando por aqui... com essas reflexões heterodoxas! 

Um abraço!  

Alexandre F. Corrêa
CRISOL - Pesquisas e Estudos Culturais
www.crisol-gpec.com.br

PS - Será necessário ser-se odioso para se furtar ao contágio do consensual?
A Sociedade Transbordante.
Henri-Pierre Jeudy.

11 de maio de 2012

HANNAH ARENDT - Teatro das Memórias - EBOOK

PDF SB

Teatro Das Memórias: Entre O Passado E O Futuro

Teatro das Memórias: entre o passado e o futuro

Arendt, Hannah. 


Entre O Passado E O Futuro.


(Livro, Ler Online, Baixar Gratis) Em Portuguese

www.pasosonline.org
  
Teatro das Memórias: entre o passado e o futuro .
Alexandre Fernandes Corrêa† 


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
Patrimônio Cultural. ISSN 1695-7121 364 

Reflexão sobre o tema da VIª Semana Nacional dos Museus : 


“Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento”. 


Apresenta a proposta de Ação Cultural 


Teatro das Memórias: Entre o Passado e o Futuro. 
Linguagem: portugueseNúmero de páginas: 11, size: 0.17 MB

10 de maio de 2012

O SILÊNCIO DOS CULPADOS E A OMISSÃO DOS INOCENTES


Por: Joãozinho Ribeiro Data de Publicação: 7 de maio de 2012 

“O Século XXI será da cultura e da espiritualidade ou não será”. André Malraux


Circularam na rede, nesta última semana, dois manifestos/desabafos de autoria de duas divas do circuito artístico-cultural maranhense, pelas quais cultivo um profundo sentimento de respeito e explícita admiração, pela seriedade com que tratam as questões da arte & da vida e pelas posições insurgentes que tiveram a coragem de expressar, sem fazer média com quem quer que seja, colocando o dedo na fratura exposta das políticas culturais do Estado do Maranhão e do Município de São Luís, num momento de imensos desapontamentos em todos os níveis, de artistas, produtores e agentes culturais de nuestra tierra.


Keyla Santana, atriz, produtora cultural e mestranda do Curso Cultura e Sociedade, da UFMA; Natália Ferro, cantora e compositora das mais promissoras das novas gerações; ambas, mulheres destemidas, que botaram a boca no trombone, compartilhando com o mundo circunstante a sensação de vazio e de desamparo das produções locais, denunciando o “mais do mesmo”, a “consagração dos consagrados” e a marginalização de dezenas de artistas que se recusam a fazer de suas criações apenas instrumento de “alienação da galera” e da proliferação do massacre midiático imbecilizante das emissoras de rádio e televisão, sob a cumplicidade e complacência do patrocínio do empresariado da província.

Essa falta de consideração com o patrimônio cultural, seja maranhense ou nacional, é um fenômeno que atinge marcas alarmantes, promovido em escala gigantesca pelas maiores empresas de comunicação do país, e projetado nos estados e municípios, com uma força cada vez mais avassaladora, em nome de uma cultura de massa e audiência a qualquer preço, que trava e impossibilita o surgimento e consolidação de alternativas culturais baseadas no engenho e na arte da nossa rica diversidade criativa.

Recentemente, foi destaque na imprensa local e nacional, a notícia de que São Luís ocupava uma das posições mais insignificantes no ranking das Cidades Criativas Brasileiras; mais especificamente, cidades que ostentam processos e/ou experiências exitosas associadas à economia criativa, setor da Economia da Cultura responsável atualmente por cerca de 10% do PIB do planeta, conforme pesquisas de estudiosos do assunto, pertencentes ao mundo acadêmico e empresarial de diferentes continentes.

E por falar em pesquisa, uma do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada neste último final de semana, revela que o Maranhão ocupa a quarta posição no ranking de estados com piores rendimentos escolares. Cerca de 61% de pessoas com 10 anos ou mais contam apenas com a educação básica ou nenhum tipo de instrução.
Com a educação abandonada à própria sorte (ou azar?) e o desprezo ao processo criativo dos nossos artistas e intelectuais, o que esperar de um Estado onde ainda impera a mais longeva oligarquia do País? Que cidade é essa, que recebe o título de Capital Americana da Cultura e o seu aeroporto permanece na condição de um acampamento de indigentes, com tendas superfaturadas por todos os lados?

Sem incentivo à diversidade criativa não há como agregar valores ao que se produz ou produzirá neste emaranhado de interesses privados em que patina e escorrega o Maranhão, sem avançar um centímetro sequer no rumo da venta. Grandes projetos só podem fazer algum sentido se a riqueza produzida por eles for compartilhada pela maioria da população que habita o território onde estes estão sendo implantados.

A agregação de valores em todos os campos da criação humana só acontece com cidadãos livres para pensar, criar e fazer as suas escolhas; seja no campo político, social, econômico, religioso, cultural ou ambiental. Sem este requisito é impossível se falar em desenvolvimento, como se este acontecesse por um passe de mágica, retirando, de uma hora para outra, milhões de pessoas da condição de miséria, sem atacar a besta-fera da desigualdade e a posição daqueles que se beneficiam com a desgraça alheia.

Concluo a conversa desta semana com os leitores da coluna, compartilhando um texto da Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Ana Carla Fonseca, que recentemente teve sua tese “Cidades Criativas”, aprovada com louvor na ECA/USP:

“Dentre as várias definições possíveis de desenvolvimento, uma das mais professadas foi cunhada pelo economista indiano Amartya Sen. Para ele, desenvolvimento requer a expansão das liberdades de escolha – que, por sua vez, exigem não apenas a possibilidade de fazer uma escolha (ou seja, ela estar disponível), como também ter a capacidade de refletir a respeito do que se quer escolher, ao invés de escolher o que os outros (a mídia, a opinião pública, a crítica especializada) nos levam a querer”.

Minhas caras e estimadas, Keyla e Natália, parabéns, mais uma vez, pela coragem e sinceridade das intenções e gestos conscientes e generosos que compartilharam conosco, desafiando o silêncio dos culpados e a omissão dos inocentes.

Joãozinho Ribeiro escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.

8 de fevereiro de 2012

São Luís 400 anos: O Poder dos Mitos

No Teatro das Memórias sociais econtramos o poder do jogo simbólico dos mitos, operantes tanto nas sociedades arcaicas, quanto nas modernas. Jogo estrutural de alcance e força universal, na sua relação com as narrativas sobre os fundamentos de origem do mundo cósmico, social ou pessoal. De um modo sintético podemos dizer que os mitos funcionam e são ativados por oposições que têm sua infraestrutura mais profunda ancorada nas relações entre o sagrado e o profano, o puro e o impuro, o malígno e o benígno, assim por diante. Estas oposições e os jogos socioculturais que promovem e ativam, são subjacentes a diversas manifestações hodiernas. E podemos vê-las atuando exemplarmente no caso das comemorações dos IV Centenário de São Luís/MA, nesse ano de 2012. Destaca-se em todas as observações empíricas que estamos fazendo, nesses últimos anos, com entrevistas e pesquisas mais pontuais - participando de eventos e reuniões públicas - a força que tem, e que faz movimentar, o discurso mítico na sociedade.
E não poderia ser de outro modo, caso recuperemos da história outros exemplos eloquentes, tendo em mente antecedentes de alcance civilizatório de expressão universal. Como é o caso da fundação mítica da cidade de Roma.

Ab Urbe Condita
Rômulo e Remo
Todos nós temos profunda atração pela formulação de discursos que invocam as origens de nossos núcleos urbanos antigos, especialmente os patrimonializados no século XX: "Desde a fundação da cidade...".
No caso de Roma, a cidade eterna, pergunta-se: quem a fundou, Rômulo ou Remo? Em busca dessa resposta, acabamos entrando no labirinto do maravilhoso reino da lenda! Diferentes versões já foram formuladas, em séculos de especulações, pesquisas arqueológicas e históricas na região do Lácio. É o mundo da Mitologia que não nos deixa escapar da imaginação, da fábula, dos sonhos e das quimeras. Sabemos que a lôba fabulosa criou os dois irmãos fundadores, que viveram em lutas e combates, e que terminariam por disputar o fatal embate fraticida. Rômulo assassina Remo; como nos narram Virgílio e Tito Lívio. Rômulo, o vencedor, funda a cidade de Roma...
Mas, afinal, quem constrói Roma, os latinos ou os sabinos?! E para além dos latinos e dos sabinos, teriam sido os vênetos? Ou teve a participação dos umbros, oscos, tadiates, tadinates, ausônios, saminitas, lucanos, rútulos, picenos, bretões, etc.; ou ainda, os sículos, sicanos e elimos? Quem sabe a resposta mais verdadeira? O certo é que considerando o fato de todos terem formado um agrupamento socio-cultural denominado itálico, ou italiota, e de suas línguas ter derivado o latim, os futuros moradores da cidade eterna possuem origens comuns.
Essas perguntas, que revelam essas oposições e polaridades, fazem funcionar e ativam o poder dos mitos. Em Roma, como em qualquer cidade, - assim como na fundação de narrativas sobre origens de - povoados, vilas, lugarejos, grupos, pessoas, etc., os mitos ocupam o lugar de articulação dos símbolos e do imaginário, recolhendo-se do real os signos adequados a sua movimentação. 

Daniel de la Touche
Em São Luís assistimos a mesma luta e disputa mítica, com a oposição de duas versões narrativas rivais. As duas invocando origens europeias; por que? Porque não se atribui a fundação da cidade aos indígenas, Tupinambás vindos da Bahia (tendo expulsado os Timbira/Tapuias para o continente); e nem se atribui aos africanos, pois ainda não havia ainda o tráfico de escravos, na região.

Jerônimo de Albuquerque Maranhão








Resta para o embate teatral, e historiográfico, a alusão da presença do franceses e dos portugueses, representados pelo confronto das personagens heróicas de Daniel de la Touche, do lado franco; e Jerônimo de Albuquerque, do lado luso (-brasileiro).

A Big-Festa Neo-Barroca

Com a aproximação da data de comemoração do IV Centenário, vemos se excitar e ativar com força o poder dos mitos fundadores e a invocação de seus heróis. Com virulência e paixão inflamam-se os debates; sempre acirrados e eventualmente animados pela presença de algum nome ilustre da Ciência ou das Artes. 
Dos organizadores oficiais dos ritos comemorativos, ouvimos a promessa que realizar-se-á uma big-festa de expressão espetacular; que não será esquecida com facilidade! Veremos então mobilizar-se, com toda certeza, estruturas comemorativas tradicionais e barrocas, com arquiteturas e cenografias remanescentes do século XVII e XVIII, - em novas roupagens high tech -, incrementados com recursos midiáticos e teatralizados; lembrando o Triunfo Eucaristico de 1733, na cidade de Ouro Preto/MG. 
Modelo festivo e comemorativo colonial que atravessa os séculos, conforme defendemos em artigo recente publicado na Revista do IHGM: http://issuu.com/leovaz/docs/revista_ihgm_36_-_mar_o_2011b
Mas, atenção! A Tradição não será festejada repetindo, ou reproduzindo, o mesmo significado histórico e cultural - como se diz nas academias: "re-siginificado" ou "re-inventado". Nossa hipótese é outra. Percebemos que o discurso elaborado e articulado, para estas comemorações de 2012, rompem com as de 1962 e 1912. Mantém-se o modelo festivo e comemorativo num barroquismo sofisticado e incrementado tecnologicamente; num estilo neo-barroco pós-moderno marcante e significativo. Todavia, não é o mesmo sentido de festa que se repetirá. O modelo (estrutura/arquitetura) permanecerá o mesmo do século XVIII, com o Triunfo Eucarístico servindo como ritual litúrgico de base. No entanto, apesar dessas aparentes e superficiais semelhanças, vamos testemunhar uma virada no processo de construção social e política da festa comemorativa, nesse início do século XXI. Uma virada capital, que abalará para sempre os vestígios e remanescências memoriais e patrimonais, além de identitárias; sustentadas por estas estruturas comemorativas e festivas ritualísticas consagradas. 
Tal análise sobre as bases de fundação de um novo ciclo sócio-cultural de festividades e comemorações nas sociedades da modernidade tardia (pós-modernas), vamos apresentar no decorrer dessas crônicas. Fruto de nossas pesquisas sobre os ritos comemorativos na atualidade, reunidos sob o título Teatro das Memórias II: mitanálise e ritanálise das festas comemorativas históricas na sociedade contemporânea.
Esse trabalho avança na construção das bases teóricas e metodológicas, oferecendo subsídios para os estudos e pesquisas sobre o novo ciclo de festas e ritos comemorativos inaugurados na sociedade brasileira, desde as comemorações dos 500 anos (1992), até a efeméride dos duzentos anos de Independência do Brasil; coroada com os cem anos da Semana de Arte Moderna, em 2012.
Essa linha de pesquisa sustenta a hipótese aqui apresentada, muito sumariamente, da ruptura e descontinuidade do longo ciclo festivo e comemorativo invocado, a partir da proliferação de mega-eventos recentes na sociedade brasileira, que indicam mudanças e variações no modelo colonial barroco herdado. Com a entrada na alta modenidade, observamos os impactos de novos elementos, transformando e abalando a gramática litúrgica convencional; para além das bases econômicas e sociais, que já sofrem recentes modificações estatísticas. Mega-eventos como Panamericano, Encontro Mundial da Juventude Católica, Olimpiadas, Copa do Mundo e outros, estão transtornando as bases de produção e re-produção desses rituais litúrgicos na atualidade. 

A Viragem Decisiva

Para nos guiar nessa aventura interpretativa, no movimento de decifrar as particularidades e os sentidos da virada da produção atual de significados das festas públicas e ritos comemorativos históricos; vamos nos apoiar em Jean Baudrillard, especialmente no seu texto Simulacros e Simulação. E o parágrafo abaixo, em destaque, cai como uma mão na luva; ajudando a dissipar qualquer dúvida quando as transfromações virtuais nas quais estamos adentrando. Assim:

"Quando o real já não é o que era, a nostalgia assume todo o seu sentido. Sobrevalorização dos mitos de origem e dos signos de realidade. Sobrevalorização de verdade, de objetividade e de autenticidade de segundo plano. Escalada do verdadeiro, do vivido, ressurreição do figurativo onde o objeto e a substância desapareceram. Produção desenfreada de real e de referencial, paralela e superior ao desenfreamento da produção material: assim surge a simulação na fase que nos interessa - uma estratégia de real, de neo-real e de hiper-real, que faz por todo o lado a dobragem de uma estratégia de dissuasão" (1991, p. 14).

Levar a frente os alcances interpretativos dessa análise penetrante, não é fácil, no contexto em que estamos vivendo de recalcitrante resistência ao pensamento crítico. Reluta-se em compreender a importância desse processo de "sobrevalorização" dos mitos, dos signos, da verdade, da objetividade, da autenticidade... Trata-se de uma resistência subjetiva que configura um obstáculo epistemológico dificil de superar, sem um trabalho de escavação semiológica. É como estar diante do espelho e não acreditar no que se vê: é preciso dissimular, fingir, cindir... Estatégias de simulação e dissimulação, nos mínimos detalhes, nos discursos, nas ações, nas encenações.
Como nos apontou Henri-Pierre Jeudy, estamos testemunhando a ativação do "princípio de reflexividade", enquanto base de todo um processo de patrimonialização das identidades. Espelhos das cidades, patrimônios, memórias e monumentos tornam-se simulacros; já não há mais tradição, real, objeto, substância.
Já não faz mais sentido agarrar-se na "historiografia" científica salvadora, garantidora da suposta "verdade histórica", respondendo cientificamente a pergunta angustiada: - quem fundou a cidade de São Luís: Daniel de la Touche ou Jerônimo de Albuquerque? "A história é o nosso referencial perdido, isto é, o nosso mito" (Baudrillard, 1991, p. 59).
A empresa anunciada na rosa dos ventos, qual seja, desmitificar a fundação da capital do Maranhão, revelando a "verdade histórica e científica" de sua fundação, - elegendo critérios "autenticos" de averiguação do ato fundador - carece de apelo à razoabilidade; em resposta, temos o riso, a ironia, a irrisão. Ao contrário, é o mito que invade, como conteúdo imaginário, a cena midiática, teatralizada e dessubstancializada; mas um capítulo na longa noite da nostalgia do referencial histórico perdido.

(Continua).

29 de outubro de 2011

O BUNGA-BUNGA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL DE SÃO LUÍS/MA



BUNGA-BUNGA DO PATRIMÔNIO 
HISTÓRICO-CULTURAL DE SÃO LUÍS/MA

‎"Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar.
E eu não vou me resignar nunca".
Darcy Ribeiro

O "Painel sobre o Centro Histórico de São Luís" realizado na Câmara Municipal da Capital, foi o anúncio antecipado do fracasso do "Projeto São Luís 400 anos"! Ouvimos, estridentemente, pronunciado com todas as letras, que a politicagem impossibilitou a organização da Programação integrada, entre os três poderes da República; restando apenas a realização dos ‘festejos’ em 2012! 
Fica a pergunta, que nunca quer calar: Festas para comemorar o quê? 
Parece que para os gestores de plantão não importa o 'quê' comemorar, basta a efeméride redonda, para promover o que mais sabem fazer: e-ventos efêmeros! 
Os benefícios concretos, físicos, materiais e ambientais para a população em geral, - alardeados e difundidos espetacularmente - esses, não serão realizados! 

Fracasso, incompetência e despreparo! O escárnio rondava as autoridades, paramentadas como se estivessem num enterro, sepultando um cadáver resignado, resoluto, minguado, tacanho: o Projeto São Luís 400 anos
Vamos acender as velhas velas mágicas e aromatizar o ambiente com incensos exóticos, como num exuberante bunga-bunga nativo! Atiçar muita fumaça para erguer cortina espessa ante os olhos perplexos dos cidadãos ludovicenses!

O desempenho administrativo dos gestores de plantão esteve sob o crivo dos vereadores e da galeria, na manhã de segunda-feira (31/10); e o temor estava estampado nos rostos de alguns integrantes da mesa! Porém, tirando forças, não se sabe de onde, num golpe de cena espetaculoso, os discursos sucederam-se invocando os mesmos argumentos técnicos e financeiros, de sempre, para defender o indefensável: o opróbrio de um Centro Histórico abandonado, fantasmagórico e sinistro!

Foi patético e ao mesmo tempo cômico, ouvir as ladainhas, por vezes enfurecidas, das justificativas para mais esse espalhafatoso fracasso... Proferidas com ar de pesar e sofreguidão! Cena que inspirava melancolia piedosa na platéia! Muito embora, pudéssemos ser cativados por uma baforada de compaixão momentânea, tal desempenho de gestores públicos merecia uma resposta à altura! 
Como pode agentes públicos passarem impunemente por tais vexames, admitindo o próprio desastre, e nada acontecer em contra-partida?

Entrementes, reverberava pelas paredes do salão a notícia estrondosa, diluída entre os lamentos! Eis a pérola lançada... Com menos de um ano para o esperado 08 de setembro de 2012, concluiu-se que não há mais tempo para realização de todos os Projetos do São Luís 400 anos, tão necessários e urgentes para a população; anunciados de forma espetacular por todas as mídias, pelos últimos dois anos! E agora? Pasmem, cidadãos! Proclamam que só nos resta 'festejar'! Vamos comemorar o abandono e o descaso, com muita bebida (e outras cositas mas), shows, mídia, desfiles... E o que fazer!? Ora! Cantar! 


Sorria! Sorria, meu bem, da infelicidade, que você procurou! Sorria, meu bem. / Hoje você chora, por alguém que nunca lhe amou! (Sorria, Sorria; de Evaldo Braga).

Eloquentemente traços marcantes sobressaíram, em grossas pinceladas, da postura dos agentes públicos na ocasião: a arrogância e o espírito autocrático - típicos em aprendizes de tecnocratas! 


Até esse Blog Teatro das Memórias já sofreu a fúria da 3a. SR do IPHAN, ainda sob interpelação judicial até poucos dias, quando foi extinta a punibilidade! 
(http://teatrodasmemorias.blogspot.com/2011/09/extinta-punibilidade-3a-sr-iphan-contra.html)


Punição legal pretendida baseando-se na antiga Lei Falcão; lei da censura do tempo da Ditadura Militar no Brasil! Ataque furioso recebido por expressarmos ideias críticas e contrárias às práticas rotineiras de arbítrio e falta de democracia - além de indignação pelo abandono e descaso - na imposição de um modelo fracassado de patrimonialização dos espaços sociais da memória coletiva da cidade. Fracasso admitido pelos próprios gestores no Painel ocorrido na Câmara Municipal de São Luís! 

Até quando será mantido e perpetuado esse estado lamentável de descalabro e indiferença? Impossível prever!

Percebe-se claramente, nos olhos dos gestores, uma variação de fúria, consciente e deliberada – expressando uma raiva incontida – que de repente muda a máscara para um tipo de ingenuidade e pureza d’alma, dos que fingem fazer o bem, com bons corações; límpidos como as águas da Fonte do Ribeirão! Chega a ser tocante e pungente!
Câmara Municipal de São Luís

Todavia, os problemas existem e destacam-se na paisagem urbana! Os desacertos na gestão do Centro Histórico gritam, repercutem, espalham-se para longe das fronteiras da Ilha, do Estado, do País! E, os nossos ‘heróis da preservação e do amor ao Patrimônio’, continuam incólumes e intocáveis; sentem-se indestrutíveis!

Querem nos ensinar a ‘amar’ o Centro Histórico, a ser ‘sensíveis’ com a História, e a ‘preservar’ a arquitetura colonial dos poderosos escravocratas do passado (e do presente?) ... 
Que metáfora instigante para uma pesquisa mais profunda!


Mas afinal, não são eles, os nossos gestores de plantão, que deveriam nos dar o exemplo desse ‘amor’? Não parece ser o caso; são maus professores! Fica, então, mais uma vez a velha lição moral (reload) do cinismo pós-moderno : - Faça o que eu digo, não faça o que eu faço! 

Nós, caros cidadãos, é que somos insensíveis, ignorantes e odiamos o passado! Eles, não, são os mestres e sábios da ‘preservação’! Pois, então, por que não são os primeiros a dar exemplos desse amor? Por que suas políticas não funcionam? Que estranha incongruência!

Constatamos que ao se sentirem intocáveis - marionetes nas mãos dos que os sustentam, até o limite do paroxismo - não percebem o papel grotesco e bizarro que desempenham! Faltam espelhos para se mirarem! Não percebem o ridículo, nem a dimensão de sua incompetência! Seus amigos, sempre elogiam seus desempenhos mirabolantes e irados, ao enfrentar com bravura mais um ataque dos inimigos, dos insensíveis, dos rancorosos, dos odiosos, dos... cidadãos!

No final, dizem uns para os outros: - fomos brilhantes! Conseguimos calar a fúria dos estúpidos ignorantes que não entendem nada de Patrimônio Cultural da Humanidade! Nós, sim, os eleitos, os experts, os sabidos, é que somos os verdadeiros preservacionistas e conservadores da História! O narcisismo dessa turma não tem tamanho; nem cabe neles! Só não é maior que o sonho máximo de desfilar pela Beija-flor, para milhões de corações globalizados!

Curiosidades exóticas a parte, destaca-se na trama - para completar a cena do teatro burlesco – os que fazem papel de bajuladores e admiradores incondicionais; capachos da ordem sinistra dos fantoches! Que alegre trupe de aduladores animados para a blague; num verdadeiro festival de galga, facécia e gracejos!

Os títeres de plantão, disfarçados de técnicos do ‘patrimônio’, na verdade labutam - entre suor e lágrimas insinceras - para ‘preservar’ os interesses dos grupos que investem economicamente no espaço social do Patrimônio Histórico e Cultural! Recebem seus dividendos para reproduzir e manter esses interesses, garantindo lucro e ganhos infindáveis! Douram seus discursos com loas, louvores e apologias ingênuas e românticas ao ‘patrimônio’ e a ‘memória’ – patrimônio e memória de quem?


Até as 12 horas desse mesmo dia, não foi pronunciada qualquer palavra sobre o não cumprimento da Lei Municipal nº 5.159 sancionada pelo Prefeito João Castelo, que institui a realização da malfadada "Semana Cultural do Bairro Praia Grande", cuja previsão é de ser realizada anualmente, no mês de Setembro, coincidindo com o aniversário de São Luís. A lei completou um ano de sanção, e seus objetivos de fortalecimento cultural, artístico, e, consequentemente, turísticos não foram provocados e estimulados, devido a não realização do evento. 

As charadas que lançam sobre a população, se auto-vangloriando de seus atos supostamente heróicos pela preservação histórico-cultural, servem para desviar o assunto; laudativos para boi dormir! Salamaleques, abracadabras, pirimpimpins, truques e mais truques, para deslocar a atenção e fugir do foco! Essa é a verdadeira função da ideologia! 


Ah! Sim, não sejamos injustos; não se pode esquecer: As lixeiras novas! 'Amanhã' já estarão sendo encaminhadas! Impressiona a capacidade líquida: Vinte litros de lixo! É o Maranhão Maravilha! Vamos, vale festejar!


De repente, indaga-se: - para que tanta pressa em hora errada, já se passaram mais de três anos de administração?! Relaxa: - Deixe que digam, deixe que falem. Deixa isso pra lá! Vem pra cá! O que é que tem! Eu não estou fazendo nada, você também!  (Deixa isso pra lá; de Jair Rodrigues)

Quais são as conseqüências dessas imposturas administrativas para a cidade? É só abrir os olhos e ver a paisagem! Soluções?! Quem sabe?! O negócio é cair na tentação, e aceitar o convite da promoção turística tão alardeada: pegar o primeiro voo do beija-flor direto para Milão, e dançar bunga-bunga na Itália; ou na Sapucaí! Mas, isso é só para aqueles que quebram o coco, mas não arrebentam a sapucaia!

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Centro Histórico de São Luís:
Situação, Abandono e Soluções (?!)




O evento ocorreu no dia 31/10 (segunda-feira), às 10h, 
“Plenário Estácio da Silveira” - Câmara Municipal de São Luís


O principal motivo que torna São Luís a capital "Patrimônio Cultural da Humanidade" são os extensos acervos arquitetônicos concentrados no Centro Histórico da Praia Grande, que a cada ano vem se degradando pela ausência de políticas públicas especificas de conservação. E que transformam o principal espaço histórico da cidade em um lugar esquecido e devastado pelo tempo.
É comum observar veículos de carga pesada pelas ruas do Centro Histórico, além do acesso livre de carros à serviço dos órgãos públicos, que em virtude da conservação do espaço histórico de São Luís não deveriam sequer estar transitando pelas vias estreitas do bairro.

Com intuito de discutir essa situação de completo abandono do Centro Histórico de São Luís, vereador Dr. Fernando Lima (PCdoB), convidou para participar do evento, a Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, representante da Fundação Municipal de Cultura, Euclides Moreira Neto, Secretário Municipal de Turismo, Livíomar Macatrão, Promotor de Justiça Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio Cultural, Luís Fernando Barreto, Secretário Municipal de Urbanismo e Habitação, Domingos Brito, Secretário de Estado da Cultura, Luís Henrique Bulcão e o Coordenador Executivo do Movimento Nossa São Luís, Daniel Madorra. 


Na ocasião o parlamentar questionou as autoridades municipais pelo não cumprimento da Lei Municipal nº 5.159 sancionada pelo Prefeito João Castelo, que institui a realização "Semana Cultural do Bairro Praia Grande", cuja realização está prevista para ser realizada anualmente, no mês de Setembro, coincidindo com o aniversário de São Luís. A lei completa um ano de sanção, e seus objetivos de fortalecimento cultural, artístico, e, consequentemente, turísticos não foram provocados e estimulados, devido a não realização do evento.




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