Edital MCT/CNPQ 14/2008 Universal Processo 470333/2008-1



1 de agosto de 2012

Descoberta e invenção do Brasil - São Luís 400 anos


No momento em que nos aproximamos do 08 de setembro de 2012, data em que comemoramos os 400 anos de "fundação" da cidade de São Luís do Maranhão, convém lembrar de um texto interessante de Roberto da Matta, publicado por ocasião da proximidade das comemorações dos 500 anos de "descobrimento" do Brasil, no ano 2000.

* * * 

Descoberta e Invenção do Brasil

Roberto da Matta (*)

Neste mês de abril, mais precisamente no próximo dia 22, vamos comemorar os 500 anos do "descobrimento" do Brasil.

Ninguém definiu melhor esse episódio do que Lamartine Babo, quando, rimou Brasil, Cabral e Carnaval, definindo uma equação que nenhum estudioso havia notado: o Brasil foi inventado por "seu" Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do Carnaval!

Enquanto os intelectuais pátrios discutiam os males da mestiçagem, Lamartine Babo singelamente conectava Brasil e Carnaval. Para ele, a palavra-chave para entender a "história do Brasil" não estaria no verbo "ser" (o Brasil é isso ou aquilo, é assim ou assado), mas num processo de construção coletivo: no Carnaval que inventa nossa identidade sendo, por sua vez, reinventado por nós.

Falo destas coisas porque observo com pesar que as comemorações do descobrimento estão cercadas de melancolia. A nossa incrível capacidade de confundir crítica com flagelação tem usado essa oportunidade para realizar uma espécie de antidescobrimento do Brasil. Ou seja: no justo momento de comemorar o aniversário do País, usa-se o evento para descobrir os índios que, além de donos da terra, tinham também sua visão particular dos portugueses. Isto posto, quem "descobriu" quem?

Nada tenho contra essa tese. Mas vale estimar que a comemoração da "descoberta do Brasil" não é proposta como uma verdade indiscutível. É, entretanto, um ritual derivado de um "mito fundacional". Uma história que - como todo conto - tem uma perspectiva e um ponto de vista. No caso, como não poderia deixar de ser, um inegável viés luso-brasileiro.

Todos os países tem "mitos fundacionais". Os americanos falam de uma nação feita por "pais fundadores", os representantes das 13 "colônias originais" que, congregados em federação, escreveram o documento fundador dos Estados Unidos, a sua Constituição. Os mexicanos falam de uma "conquista", salientando um traço marcante de sua colonização pelos espanhóis imbuídos de missão civilizatória. Em ambos os casos, esqueceram-se os índios e os negros, ambos dotados de visões particulares desses mesmos eventos.

Com quem ficar? Como encontrar a trilha nesta floresta de mitos e clamores civilizatórios, se não há bússolas ou juízes da história e das mitologias?

Só há um caminho. O que reconhece a "descoberta do Brasil" como um evento inclusivo. Não há razão para esquecer que toda descoberta implica em mutualidade e reciprocidade. É triste, e ao mesmo tempo revelador, que nenhum dos vários comitês destinados a organizar e honrar esse evento original de nossa história tenha enfatizado e apresentado esse argumento definitivo: o fato de que nas três Americas, somente o Brasil tenha um mito de "descoberta" (que inclui tanto a terra quanto os nativos), quando todos os outros mitos fundacionais "americanos" sejam constituídos por narrativas baseadas na exclusão e na dominação dos nativos e da natureza.

Além disso, é preciso também ter a coragem para admitir que toda sociedade tem o direito de comemorar seus mitos. Sobretudo quando esses mitos não clamam superioridade racial ou promovem o ódio étnico. Se todas as tradições contêm sua quota de arbitrariedade, porque não aceitar as que fazem parte da nossa mitologia fundacional? Uma mitologia, reitero, singularmente baseada na inclusão e na mutualidade. Na idéia de descoberta que permite dialogar e descobrir o ponto de vista do outro. Se os grupos radicais têm todo o direito de desmistificar o mito cabralino da descoberta do Brasil, nós, brasileiros, temos iguamente o direito de acreditar e honrar esse mito que, afinal de contas, dá origem a nossa história como coletividade.

Aceitos esses argumentos, por que então não deflagrar um debate coletivo pondo em foco a idéia de "descoberta", de "descobrimento" e de "descobrir", atando os que aqui chegaram com os que aqui residiam, uns e outros surpresos pela visão e pelo inusitado encontro com uma outra humanidade?

Seria ótimo, se não fosse, como sempre, um tanto tarde para se descobrir o óbvio.

É incrível nossa capacidade de confundir crítica com flagelação.

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(*) Jornal da tarde de 16/04/2000 

16 de maio de 2012

Desobedeça, Transgrida, Reinvente!


Essa é a nova campanha publicitária da SCAMBOO Calçados!

Incrível observarmos esses cartazes e estampas fotográficas espalhadas em diversas cidades do país, conclamando a todos a sacudir a mesmice, a banalidade, o conformismo e a acomodação costumeira!

É por que a coisa está morna mesmo, muito conservadorismo, lugar comum e repetição!

A neurose social contemporânea possui está característica pós-moderna: população de zumbis que precisam de ser conclamados à transgressão, pela própria estrutura ideológica que impõe as séries de reproduções do mesmo, disfarçada na imagem da "diferença"...  

12 de maio de 2012

Amazônia - Patrimônio Ambiental e Cultural, para quem?‏


Prezados,

A notícia em relação ao "tombamento" do Encontro das Águas dos Rios Solimões e Negro no Estado do Amazonas me lembrou, em alguns momentos, aquela famosa manifestação de Cristovan Buarque em resposta a um estudante norte-americano sobre a preservação da Amazônia; que todos conhecem, pois circulou na internet, sendo considerado um dos documentos mais lidos na rede.

Vamos "Tombar a Amazônia" para quem?

Trata-se da recente "LIMINAR do STF que IMPEDE OBRAS NA REGIÃO DO ENCONTRO DOS RIOS NEGRO E SOLIMÕES"...

O STF através da decisão do ministro Dias Toffoli determinou a suspensão da ação de anulação ajuizada pelo Estado do Amazonas, por entender que ficou configurado conflito entre o ente federativo e a União, caso em que o julgamento é de competência do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o artigo 102, I, "f", da Constituição Federal. 

Não tenho competência jurídica para debater os aspectos técnicos da decisão, mas como possuo estudos livres sobre política do patrimônio cultural e ambiental, gostaria de colocar algumas apreensões quanto a esses processos de "tombamento" em curso.

O IPHAN está com o processo em andamento e o Estado do Amazonas entrou com uma ação na Justiça Federal do Amazonas, e conseguiu  suspender o processo de acautelamento. O STF, por questões de competência jurídica, suspendeu a decisão da Justiça Federal do Amazonas.

Qual é o problema aí? O que pode interessar um sociólogo, um processo desse? Ora, muito! Pois, o "tombamento" pode significar a tentativa de "congelar" a história o uso da "paisagem cultural e natural" do Estado pela sua população!

O IPHAN desse modo vai interfirir no processo de decisão quanto ao uso da "paisagem" para a história do Estado do Amazonas! Para (stop) a História: congela, patrimonializa, petrifica... Como fica a sociedade local? Ela participa desse processo?

O Estado do Amazonas, como ente federativo, através de seus representantes legais contestam tal "tombamento". Parece que o problema técnico está no foro em que foi encaminhado a ação de suspensão. Mas, fica a questão: não seria correto fazer um PLEBISCITO para decidir algo dessa monta? Os conselheiros do IPHAN é que devem ter o poder de decidir algo desse porte? A União, através do IPHAN, vai decidir o futuro ambiental e cultural do Estado do Amazonas?
Quem são os conselheiros do IPHAN: os colegas sabem seus nomes? Quem os indicou? Representam o quê, e quem? A população brasileira sabe o nome desses conselheiros?
Esse tipo de situação política e cultural, e ambiental, mereceria um debate mais aberto, democrático; no mínimo...
Não pode ser uma decisão tecnocrática e nem palaciana, deve ser aberta...

Vamos "Preservar a Amazônia" em que termos? Qual o projeto em causa?

"Tombar a Amazônia" é a solução? PLEBISCITO JÁ!

Bem, vou ficando por aqui... com essas reflexões heterodoxas! 

Um abraço!  

Alexandre F. Corrêa
CRISOL - Pesquisas e Estudos Culturais
www.crisol-gpec.com.br

PS - Será necessário ser-se odioso para se furtar ao contágio do consensual?
A Sociedade Transbordante.
Henri-Pierre Jeudy.

11 de maio de 2012

HANNAH ARENDT - Teatro das Memórias - EBOOK

PDF SB

Teatro Das Memórias: Entre O Passado E O Futuro

Teatro das Memórias: entre o passado e o futuro

Arendt, Hannah. 


Entre O Passado E O Futuro.


(Livro, Ler Online, Baixar Gratis) Em Portuguese

www.pasosonline.org
  
Teatro das Memórias: entre o passado e o futuro .
Alexandre Fernandes Corrêa† 


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
Patrimônio Cultural. ISSN 1695-7121 364 

Reflexão sobre o tema da VIª Semana Nacional dos Museus : 


“Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento”. 


Apresenta a proposta de Ação Cultural 


Teatro das Memórias: Entre o Passado e o Futuro. 
Linguagem: portuguese. Número de páginas: 11, size: 0.17 MB

10 de maio de 2012

O SILÊNCIO DOS CULPADOS E A OMISSÃO DOS INOCENTES


Por: Joãozinho Ribeiro Data de Publicação: 7 de maio de 2012 

“O Século XXI será da cultura e da espiritualidade ou não será”. André Malraux


Circularam na rede, nesta última semana, dois manifestos/desabafos de autoria de duas divas do circuito artístico-cultural maranhense, pelas quais cultivo um profundo sentimento de respeito e explícita admiração, pela seriedade com que tratam as questões da arte & da vida e pelas posições insurgentes que tiveram a coragem de expressar, sem fazer média com quem quer que seja, colocando o dedo na fratura exposta das políticas culturais do Estado do Maranhão e do Município de São Luís, num momento de imensos desapontamentos em todos os níveis, de artistas, produtores e agentes culturais de nuestra tierra.


Keyla Santana, atriz, produtora cultural e mestranda do Curso Cultura e Sociedade, da UFMA; Natália Ferro, cantora e compositora das mais promissoras das novas gerações; ambas, mulheres destemidas, que botaram a boca no trombone, compartilhando com o mundo circunstante a sensação de vazio e de desamparo das produções locais, denunciando o “mais do mesmo”, a “consagração dos consagrados” e a marginalização de dezenas de artistas que se recusam a fazer de suas criações apenas instrumento de “alienação da galera” e da proliferação do massacre midiático imbecilizante das emissoras de rádio e televisão, sob a cumplicidade e complacência do patrocínio do empresariado da província.

Essa falta de consideração com o patrimônio cultural, seja maranhense ou nacional, é um fenômeno que atinge marcas alarmantes, promovido em escala gigantesca pelas maiores empresas de comunicação do país, e projetado nos estados e municípios, com uma força cada vez mais avassaladora, em nome de uma cultura de massa e audiência a qualquer preço, que trava e impossibilita o surgimento e consolidação de alternativas culturais baseadas no engenho e na arte da nossa rica diversidade criativa.

Recentemente, foi destaque na imprensa local e nacional, a notícia de que São Luís ocupava uma das posições mais insignificantes no ranking das Cidades Criativas Brasileiras; mais especificamente, cidades que ostentam processos e/ou experiências exitosas associadas à economia criativa, setor da Economia da Cultura responsável atualmente por cerca de 10% do PIB do planeta, conforme pesquisas de estudiosos do assunto, pertencentes ao mundo acadêmico e empresarial de diferentes continentes.

E por falar em pesquisa, uma do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada neste último final de semana, revela que o Maranhão ocupa a quarta posição no ranking de estados com piores rendimentos escolares. Cerca de 61% de pessoas com 10 anos ou mais contam apenas com a educação básica ou nenhum tipo de instrução.
Com a educação abandonada à própria sorte (ou azar?) e o desprezo ao processo criativo dos nossos artistas e intelectuais, o que esperar de um Estado onde ainda impera a mais longeva oligarquia do País? Que cidade é essa, que recebe o título de Capital Americana da Cultura e o seu aeroporto permanece na condição de um acampamento de indigentes, com tendas superfaturadas por todos os lados?

Sem incentivo à diversidade criativa não há como agregar valores ao que se produz ou produzirá neste emaranhado de interesses privados em que patina e escorrega o Maranhão, sem avançar um centímetro sequer no rumo da venta. Grandes projetos só podem fazer algum sentido se a riqueza produzida por eles for compartilhada pela maioria da população que habita o território onde estes estão sendo implantados.

A agregação de valores em todos os campos da criação humana só acontece com cidadãos livres para pensar, criar e fazer as suas escolhas; seja no campo político, social, econômico, religioso, cultural ou ambiental. Sem este requisito é impossível se falar em desenvolvimento, como se este acontecesse por um passe de mágica, retirando, de uma hora para outra, milhões de pessoas da condição de miséria, sem atacar a besta-fera da desigualdade e a posição daqueles que se beneficiam com a desgraça alheia.

Concluo a conversa desta semana com os leitores da coluna, compartilhando um texto da Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Ana Carla Fonseca, que recentemente teve sua tese “Cidades Criativas”, aprovada com louvor na ECA/USP:

“Dentre as várias definições possíveis de desenvolvimento, uma das mais professadas foi cunhada pelo economista indiano Amartya Sen. Para ele, desenvolvimento requer a expansão das liberdades de escolha – que, por sua vez, exigem não apenas a possibilidade de fazer uma escolha (ou seja, ela estar disponível), como também ter a capacidade de refletir a respeito do que se quer escolher, ao invés de escolher o que os outros (a mídia, a opinião pública, a crítica especializada) nos levam a querer”.

Minhas caras e estimadas, Keyla e Natália, parabéns, mais uma vez, pela coragem e sinceridade das intenções e gestos conscientes e generosos que compartilharam conosco, desafiando o silêncio dos culpados e a omissão dos inocentes.

Joãozinho Ribeiro escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.

30 de abril de 2012

DESABAFO DE UMA ARTISTA


ACORDA SERPENTE!


"Uma coisa que me deixa puta é esse apelido que São Luís tem de "Ilha Rebelde". Porque eu entendo rebeldia de uma maneira absolutamente diversa de irresponsabilidade. Rebeldia é não aceitar o imposto, olhar as coisas sobre uma perspectiva menos viciada, enfrentar paradigmas, vencer dogmas, não estagnar no passado, questionar e principalmente repaginar o presente. Ser rebelde é ser atuante, consciente, crítico, inalienável.



Irresponsabilidade, é o avesso de tudo isso, com a agravante ainda mais cretina que é o egoísmo. Irresponsabilidade é abandonar, não diferir, não contribuir, não colaborar, não cumprir, não apoiar... É também roubar de si o dever de cuidar pra que as coisas evoluam, dentro e fora de nós.


São Luís é uma ILHA IRRESPONSÁVEL.


Aqui as pessoas arrotam o azedo e mofado título de "Atenas Brasileira", como a pelo menos 2 séculos isso não deixasse de ser realidade. Talvez porque de atenienses tenham conservado o hábito do ócio. Só que a modalidade daqui é mental.
Eu podia passar a vida aqui comentando de todos os descasos escrotos que assolam nossa cidade e tem como mais importante causa o desinteresse absurdo da nossa população, e podia falar de todos esses filhos da puta que estão aí drenando nosso dinheiro pra aparecerem de dois em dois anos mostrando seus sorrisos de acrílico, conseguindo assim mais 4 anos de pura mamata.


Mas eu sou artista, e escolhi falar da parte de me cabe, ou seja, o nosso cenário cultural.
O nosso público é preguiçoso e os nossos artistas também. A nossa cena ainda ocorre pelo esforço quase beato de pouquíssimas pessoas que se preocupam em colocar a nossa cultura no lugar que eu já nem sei se ela merece mais.

Ontem fui ao BR-135. E eu vou pedir licença ao meu amigo Alê Muniz pra tecer algumas informação e dados válidos sobre o projeto.


O BR foi montado com o muito principal objetivo de conceder palco de qualidade e público aos nossos artistas a um público aparentemente ávido de novidades e renovação da nossa música. Não só da música, aliás.
E ele surgiu também como alavanca de surgimento de outras iniciativas da mesma natureza, ousadas, que tirassem o invólucro, a casca vendida da nossa culturalidade.


O BR surgiu pela iniciativa de duas pessoas que não tem a menor necessidade de pensar no futuro cultural da nossa cidade, pois já se despiram da aura pegajosa e magnética que parece envolver as pessoas daqui. Essas pessoas sequer precisam morar em São Luís, mas ainda assim resolveram não esquecer da sua vontade de ver aqui as coisas mudarem de figura.
E essa galera tá fazendo isso sem patrocínio de NINGUÉM. O apoios que recebem são extremamente bem-vindos e são dados por "brothers" (como o Alê falou ontem), por gente digna, realmente rebelde e que não desiste disso.


Grosso modo, os organizadores do BR estão tirando grana do próprio bolso pra ver a parada funcionar.
E leia-se: - O BR não chama ninguém pra tocar de graça! Ali a ideia é que o artista se sinta como o artista que é.
Aí eu revoltadamente me deparo com o fato de que, mesmo sendo um movimento ousado, necessário, esperado e de ingresso barato, o povo não tá indo. Nem público precisado, nem artistas interessados, nem mídia especializada de qualquer natureza, inclusive marrom. NADA.


A galera daqui tá deixando o BR morrer como fazem com todas as iniciativas que não envolvem putaria de verbas e eventos popularescos emburrecedores.
Eu me envergonho de pensar em quantas pessoas deixaram de ver os shows incríveis de Madian e Preto Nando ontem pra ir pro sertanejo ou por forróbunda. Eu me envergonho das empresas que contribuem pro enraizamento e instalação irreversível desse vazio cultural, e simplesmente CAGAM pra iniciativas que transformam ideias e pessoas. Eu me envergonho dos artistas preguiçosos e desunidos que vivem no mundo ao redor de seus próprios umbigos minúsculos, e que não pensam que sozinhos não chegarão a lugar nenhum.


Enfim, eu me envergonho pela desilusão das poucas pessoas que ainda tem a intenção de fazer alguma coisa pela gente.
Esse manifesto aqui é de desesperança. Eu não acredito sinceramente que as coisas possam ficar melhores do que o pior que já existiu.


Enquanto não for repensando esse conceito de que a gente é especial, que a gente foi colonizado por francês, que a gente é mais sabido que todo o Brasil, que a gente não precisa de ninguém, que a gente é filho, sobrinho, parente, puta do deputado... Isso não vai mudar.


É preciso que nos conscientizemos. São Luís é uma bosta. Nossa sociedade é corrupta, leviana e burra. Nossos políticos são asquerosos. Aqui é fim de linha.
E eu termino esse desabafo dizendo que menti.
Esse não é um manifesto de desesperança. É um manifesto de desesperada.
É o que posso fazer no momento pra dar a minha contribuição a um utópico desejo de resitir, e é com muita dor que o faço.

Eu não queria ter que dizer tudo isso, e queria trabalhar com dignidade da minha própria arte na cidade em que eu nasci. Eu queria que os meus companheiros de profissão fossem também os de vida, e que a gente se unisse num esforço sincero de se apoiar e se acrescentar pra crescer junto. Eu sonhei com o dia em que iniciativas independentes fossem abraçadas como oportunidades reais de fortalecimento da nossa identidade artística.


Eu sofro pelos rebeldes que restam. E não posso rezar pelos irresponsáveis que transbordam, infelizmente.
Eu desejo mesmo, muito, é ver a porra dessa Serpente acordar.

Parabéns a todos os rebeldes que fizeram, apoiaram e compareceram ao BR-135 ontem. Foi um lampejo lindo do que a gente deveria ser."

Nathália Ferro, cantora e compositora maranhense.
Texto publicado nas redes sociais, dia 29 de abril de 2012.

6 de abril de 2012

No Dia do Assassinato de Cristo.


No Dia do Assassinato de Cristo.

Nosso Amor-Vida que estais no Céu,
Santificado seja vosso nome,
Venha a nós o vosso Reino.

Seja feita vossa Vontade.
Assim, na Terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia,
Nos dai hoje.

E perdoai as nossas culpas.
Assim como nós perdoamos
Aos que nos tem ofendido.

E não permitais que nosso amor seja deturpado;
Mas livrai-nos de nossas perversidades.

Amém!

Wilhelm Reich