Edital MCT/CNPQ 14/2008 Universal Processo 470333/2008-1



19 de janeiro de 2010

“Por Dentro da Mente de Da Vinci” chega a São Luís


A mostra traz 80 peças entre painéis e protótipos de máquinas do mestre e pode ser visitada a partir de 17 de dezembro no Parque Botânico Vale, em São Luís.

São Luís (Maranhão), Dezembro de 2009 - Pouquíssimos artistas no mundo foram tão completos e desenvolveram seu talento em áreas tão distintas como o gênio Leonardo Da Vinci. Além de obras consagradas como Monalisa, Anunciação e A última Ceia, Da Vinci, ele circulou, com notável habilidade, nas áreas da escultura, música, poesia, teatro, literatura e em importantes estudos de engenharia, arquitetura, anatomia, astronomia e matemática.
O Leonardo cientista e inventor é o foco da exposição “Por Dentro da Mente de Da Vinci”, com curadoria de Eugenio Martera e Patrizia Pietrogrande, que o Museu a Céu Aberto e Vale do Rio Doce trazem para a cidade de São Luís, MA.
A mostra - em cartaz a partir da próxima quinta-feira, dia 17 de dezembro, no Parque Botânico da Vale - veio de Florença, na Itália e, já foi vista por um público de 50 milhões de pessoas na Europa, Ásia, Oceania e América.
Trata-se da maior exposição já realizada sobre as várias facetas de criação do mestre italiano Da Vinci. São 80 obras: 40 painéis gráficos e 40 protótipos das máquinas, entre eles: o macaco hidráulico, o tanque de guerra e o helicóptero. Muitos deles não chegaram a ser construídos pelo artista, mas tornaram-se realidade centenas de anos depois exatamente da forma como ele havia imaginado.
Só no Brasil, mais de 1,5 milhão de pessoas apreciaram toda a genialidade deste grande artista. Segundo Paulo Solano, diretor do Museu a Céu Aberto, uma das Instituições responsáveis pela exposição no Brasil, em todas as cidades pelas quais a exposição passou o público se surpreendeu com a grandiosidade e com o dinamismo de Da Vinci. “É impressionante o quanto Da Vinci consegue reter a atenção das pessoas que passam por uma de suas obras”, afirma.
Os modelos são divididos em Máquinas Militares, Máquinas de Ar e Água e Máquinas Civis. Na produção dos protótipos, são usados apenas materiais – como madeira, ferro e juta - e ferramentas disponíveis no período em que Da Vinci viveu. Nesta exposição, eles serão exibidos junto com cópias dos desenhos originais.

Réplicas

As réplicas em madeira foram concebidas pela Associação Cultural Italian Art a partir dos cadernos de anotações do artista, preservados em diversas coleções particulares e museus, chamadas de "códices". "Foi um projeto longo, que envolveu paciência e quatro anos de estudos para transpor as ideias de Leonardo, do século XVI, para fora do papel, no século XXI. Os computadores tiveram que trabalhar e muito", relembra o artesão Paolo Gori, representante da associação. Mas, a cada projeto, um espanto: "Tudo funcionava", diz ele, admirado.
A surpresa de Gori tem sua razão de ser. Afinal, Leonardo Da Vinci teve as limitações técnicas de seu tempo, numa época em que ninguém sabia precisar as horas depois que o sol se punha (só se usava relógio de sol). Muitos projetos sequer tinham condições de serem testados. Mas a exposição vem mostrar que eles funcionavam. "É um gênio, não há outra explicação. Tudo encontrado nos desenhos foi fruto de uma observação e de uma pesquisa febril, típicas de um intelectual do Renascimento”,reforça.
Da Vinci, em algumas ideias, conseguiu se adiantar em cinco séculos. Ele chegou a projetar uma bicicleta, com corrente, pedais e tudo. Bem diferente da forma como foi feita no século XIX, quando o ciclista tinha que usá-la sem pedais, com o próprio esforço.
A exposição é uma iniciativa do Museu a Céu Aberto, Vale do Rio Doce e Centro Educacional Leonardo da Vinci.
Serviço:
Curadoria: Eugenio Martera e Patrizia Pietrogrande
Visitação: 17 de dezembro de 2009 até 23 de janeiro de 2010
Horário: de terça a domingo, das 9 às 17 horas.
Onde: Parque Botânico Vale - Av. dos Portugueses, S/N – Anjo da Guarda, São Luís (MA)
Entrada franca
fonte: Atelier de Idéia
E-mail (contato): tiago.martins@atelierdeideia.com.br

12 de dezembro de 2009

12 ANOS DE PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE: SÃO LUÍS/MA


Por ocasião das comemorações dos 12 anos de inscrição do Centro Antigo de São Luís na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade (UNESCO), parece justo elaborar algumas breves reflexões sobre o valor dessa data. O Patrimônio Histórico e Cultural da cidade já recebeu diversas intervenções de engenharia e arquitetura com gastos vultosos, num lugar em que esses investimentos só têm beneficiado economicamente poucas pessoas e grupos (especialmente estrangeiros e proprietários dos imóveis). É lógico que se poderia dizer que as pessoas e grupos que freqüentam o local também são beneficiários, mas convenhamos só nos tratam como consumidores e não como cidadãos – aliás, raras vezes se vai ao Centro ‘Histórico’ (Projeto Reviver), para a admiração ou contemplação de algum bem cultural ou artístico, que são raríssimos e precários; comumente se vai para beber, comer, passear e namorar... o que se faz na medida do possível. Todavia, permanecem perguntas difíceis de responder, por exemplo: por que há tanta aceitação e consenso nessas práticas de ‘preservação’? Por que todo mundo concorda com essas práticas de patrimonialização vigentes? Que consenso é esse, qual a sua natureza sociológica? Esses questionamentos devem ser feitos sem qualquer juízo de valor, isto é, não se trata de a priori considerar certo ou errado, positivo ou negativo, mas, de interrogar, problematizar – o que também é um direito de cidadania. Assim, continuamos a refletir e a indagar: como se adquiriu tanta legitimidade, tanta unanimidade nessas práticas e discursos? Não há uma voz sequer que questione isso? Como pode toda contestação marginalizar-se e os contrários e os opostos desapareceram de cena? Como se conseguiu isso, quais os custos e benefícios disso? Onde são aprovados esses projetos de intervenção urbana?
Evidentemente que todo esse processo está sujeito a intercessão de diferentes representatividades e significações; acerca do valor cultural e histórico dessas intervenções de engenharia e arquitetura (urbanismo). Mas, pergunta-se: e a critica à política de Revitalização dos Centros Antigos ‘Históricos’ em nosso país, o que aconteceu com ela? Algum dia houve? Sabemos que hoje existe uma poderosa indústria por trás desse consenso todo: o turismo. E a hipótese mais certa é que essa máquina se move pela força da ‘Ideologia do Desenvolvimento’ – promessa requentada a todo ano pelos empreiteiros, empresários e industriais do país: o ‘turismo’ será a redenção econômica do Nordeste e dos pobres desse país...
Mas, afinal qual a representatividade, ou legitimidade, desses processos de patrimonialização na sociedade atual? Por que a figura do ‘Patrimônio Cultural’ justifica-se plena e unanimemente através desses tipos de intervenções e ‘enobrecimentos’ para o consumo das novas classes médias? Só a ‘turistificação’ é a resposta? Por que se aceita com tanta facilidade o esquecimento do ‘humano’ e do ‘imaterial’ nesses empreendimentos? Por que tanta fixação nos cenários físicos? Algumas vezes aparece, acolá, um projeto de ‘bem cultural imaterial’, mais, ali, um ‘Centro Cultural’, mais, aqui, um ‘Museu’ de alguma coisa, mas, todos já sabem, são apenas mais um álibi, nada mais...
Parece-nos, ao contrário, que um ‘Olhar Sociológico’ – que provoca tanta resistência – pode potencializar uma abordagem verdadeiramente crítica. É uma esperança de podermos enfim perscrutar as contradições desse processo. Porém, trata-se de uma questão metodológica geralmente esquecida e ocultada, até mesmo nas Universidades; e certamente isso é devido a força poderosa dos consensos (afinal os acadêmicos também querem a sua ‘mais-valia’). Assim, dissemina-se o seguinte: pouco se ‘ouve’, efetivamente, os discursos dos agentes públicos e privados, e pouco se ‘vê’, efetivamente, o que realmente fazem: carecemos de uma sócio-análise profunda.
Então, parece certo, o núcleo problematizador e orientador de nossas pesquisas deveria ser: como são legitimadas essas práticas sociais de patrimonialização na atualidade? Como se formam esses consensos e unanimidades? Como esses enunciados foram potencializados de tal forma que hoje já não sofrem qualquer crítica ou avaliação relativizadora? Para os pesquisadores e estudantes: é preciso fazê-los ‘ver’ e ‘ouvir’ essas ‘unidades discursivas’; mostrar-lhes que essas 'estruturas significativas' podem ser isoladas, e aí, sim, se tomar uma perspectiva crítica em relação a essas práticas discursivas dominantes. Como se sabe, o consumo para a classe média tende a se intensificar - de modo sem precedentes na sociedade brasileira - tornando-se esse ‘objeto sociológico’, objeto privilegiado de estudo para os que querem refletir e pensar com os ‘olhos livres’. É um fato sociológico importante estudar hoje o ‘turismo cultural’ e a indústria que tem transformado toda a cultura em mercadoria valiosa e cobiçada. Mas isso não deve ser tratado e analisado apenas pelos 'economistas da cultura'. É preciso formar estudantes e pesquisadores livres para que possam investigar e pesquisar livremente, sobre o poder do agenciamento da cultura e do patrimônio - processo que vai ser inaugurado logo, e intensificado, com os trabalhos de promoção econômica e política (engenharia cultural e política) para a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016. É preciso formar estudantes e pesquisadores que possam, através de uma arqueologia, e/ou genealogia, sensível e crítica, avaliar as práticas e discursos (enunciados) em nome da conservação, preservação e promoção cultural em nosso país. Trabalho que é imprescindível e urgente: trata-se de uma verdadeira sociologia da emergência cultural!

8 de dezembro de 2009

Dialética da Permanência do Passado II


Desafios à Política Cultural: Patrimônios ‘afetivos’, memória social e desenvolvimento.

A partir da nossa experiência empírica em projetos de extensão universitária (pesquisa-ação) enfrentamos diferentes faces contraditórias de um projeto de ação cultural com grupos em situação de marginalidade e risco social.
O ponto central a ser destacado nesse processo é a contradição fundamental que se expressa a partir de uma ação de ‘recuperação do passado’ traumático em comunidades empobrecidas que manifestam fortes resistências a essa ação ‘romântica’.
Como a memória social dos grupos marginalizados de modo algum é ‘rósea’ – o retorno do encoberto torna-se evidentemente conflituoso se chocando e esbarrando com a ‘visão romântica’ e ingênua dos agentes de cultura e patrimônio (‘educação patrimonial’) – geralmente vindos das classes médias, em plena ascensão social.
As comunidades desejam ‘projetos’ de ‘desenvolvimento’ e melhoria de vida e os agentes culturais desejam recuperar o passado.
Esse conflito gera uma série de mal-entendidos e contradições que merece uma análise social (sócio-análise) apurada e sustentada em pesquisas orientadas.

A ANTROPOGEOGRAFIA DE RAIMUNDO LOPES SOB INFLUÊNCIA DE EUCLIDES DA CUNHA.

(O geógrafo ao tempo em que escreveu 'O Torrão Maranhense')
RESUMO
Um breve texto sobre a obra etno-geológica de Raimundo Lopes. Memória da Etnologia no Maranhão e no Brasil. Intelectual maranhense da primeira metade do século XX, herdeiro da tradição antropogeográfica de Friedrich Ratzel, Emmanuel Martone, assim como do grande autor brasileiro Euclides da Cunha.

Palavras-chave: Etnologia Brasileira – Memória etnológica – Antropogeografia maranhense.

ABSTRACT
A brief essay about the ethno-geologic work of the Raimundo Lopes. The memory of the ethnology in Maranhão and Brazil. The local intellectual of the beginning century XX. Legatee of the tradition anthropogeographic of the Friedrich Ratzel, Emmanuel Martone, as well as the Brazilian great author Euclides da Cunha.

Key Words: Brazilian ethnology – Ethnologic memory – regional anthropogeography.

Texto de Alexandre Fernandes Corrêa - UFMA
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Resenha de livro raro: 'Uma Região Tropical', de Raimundo Lopes
Paulo Avelino avelino@roadnet.com.br http://fla.matrix.com.br/pavelino
ICQ# 53760772

LOPES, Raimundo. Uma região tropical. Rio de Janeiro: Cia. Editora Fon-fon e Seleta, 1970. 197p. Coleção São Luís, volume 2.

As viagens de turismo talvez sejam a maior ilusão desses tempos de ilusões. Tem os problemas de sempre, como os prefeitos achando que a gente tem o dever de visitar suas cidades embora eles não preservem a história nem recolham o lixo. Tem os guias de turismo, uma categoria de gente sorridente que se convenceu de que seus clientes são uns imbecis e os trata como tal.
Mas o principal problema não são esses. É que – a terra existe, o povo existe. São perceptíveis a nosso olho e demais sentidos. Quando viajamos estamos lá: nosso olho e o mundo, cara a cara. Mas uma das desgraças de ser humano é que o mundo nunca se nos apresenta integral. O mundo em estado de nudez não é apreendido por nós. Sempre precisamos de uma mediação. Um rio é só um rio – até que sabemos que ele era usado como refúgio de piratas, que uma organização está realizando eventos para arrecadar dinheiro para preservá-lo e que houve um quilombo de escravos nas suas margens cujos descendentes ainda estão por lá – o rio ganha uma outra dimensão. Uma casa velha é só uma casa velha – até que sabemos que foi feita com óleo de baleia pois não havia cimento na época. Quando ganhamos conhecimento o próprio mundo muda – daí a proposição do filósofo Ludwig Wittgenstein os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo. Se viajamos sem conhecimento o mundo muda muito pouco – aquele lugar visitado não entra em nosso mundo, apenas o roça – como uma sombra que lembramos vagamente.
Quando visitei o Maranhão em dezembro de 2001 o estado estava em voga – a governadora era a candidata conservadora de plantão. Eu ia para os Lençóis Maranhenses. Mas ao desembarcar do avião e antes de pegar o ônibus corri a um sebo na rua Sete de Setembro em São Luís, perto do Teatro Artur Azevedo. E foi aí que pela primeira vez ouvi falar em Raimundo Lopes da Cunha.
Raimundo Lopes foi uma dessas verdadeiras mentes brilhantes, só que sem necessidade de mercadologias ruliúdianas. Escreveu seu primeiro livro, “O Torrão Maranhense”, considerado pelos especialistas o primeiro bom livro de geografia sobre a região. Só que o escreveu quando a maioria das pessoas está pensando em outras coisas que em teorias geográficas – ele o escreveu aos dezesseis anos. E o publicou no ano seguinte, 1916 (nascera em 1899). Pouco depois entrou para a Academia Maranhense de Letras, e uma de seus pontos altos, segundo quem leu (eu não tive acesso a tal texto) foi o elogio a Maranhão Sobrinho. Esse era um poeta então recentemente falecido e com uma poética moderna. Anos depois o concretista Augusto de Campos o homenageou com o ensaio Stefânio Maranhão Mallarmé Sobrinho.
Nos anos vinte Raimundo Lopes fez escavações pelo interior do estado, e disso resultaram descobertas responsáveis por duas das três menções ao seu nome que existem na Internet. Uma é a estearia do lago Cajari, no município de Penalva, no vale do grande rio Pindaré. Estearias ou cacarias eram os nomes que o povo da região dava ao que o quase menino (tinha pouco mais de vinte) professor de geografia descobriu que eram na verdade vestígios de uma aldeia de palafitas de pessoas que habitavam aquele mesmo lugar, sobre a superfície daquele mesmo lago, cerca de dois mil antes de Cristo. Foi uma descoberta importante. Eram as primeiras habitações lacustres encontradas em todo o mundo fora da Suíça. As primeiras no continente americano. Pesquisadores do Museu Nacional e do exterior louvaram esse feito. Depois ele realizou outra descoberta, o sítio cadastrado como MA-SL-4, também chamado de Sambaqui da Maiobinha. Sambaquis são pilhas de conchas, peixes e outros vestígios de povos que viviam á beira-mar. Esse é bem próximo da capital, na estrada entre São Luís e a cidade-dormitório de São José de Ribamar, sítio que o próprio IPHAN classificou como relevância Alta.
Na década de trinta começaram a sair no Boletim do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio os capítulos sucessivos do livro que comprei no sebo, Uma Região Tropical. Tempos depois, no final dos sessenta, a SUDEMA – Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão – escolheu alguns livros clássicos sobre o estado. E reeditou este livro, que é uma ampliação d´”O Torrão Maranhense” ou, como diz o anônimo autor da notas de introdução, “o alargamento, o aprimoramento ou o fortalecimento das idéias e das análises do seu primeiro livro”.
Foi esse o livro que me serviu de companhia enquanto eu adentrava o estado em uma rodovia nova com paradas de ônibus imundas. As rodovias novas se explicavam: a candidata conservadora estava querendo mostrar que sabia fazer estradas, e que suas idéias provavelmente não eram diferentes das de Washington Luís, o tal que dizia que governar é abrir estradas. As paradas imundas e a sujeira de plástico e lixo em geral perto das cidades também eram tristemente lógicas: estava rumando para uma região que sempre foi paupérrima dentro de um estado que já foi rico e hoje é pobre.
Foi com Raimundo Lopes que eu descobri que o Maranhão é historicamente como quatro dedos espalmados, sendo cada dedo um rio. Da esquerda para a direita, o Pindaré, o Grajaú, que é afluente do próximo, o Mearim, e o Itapecuru. Todos convergindo para a Baía de São Marcos, onde está São Luís. Foi nos vales desses rios, caudalosos rios, que se instalou mais uma onda de civilização do açúcar em meados do século XIX. Os barcos dos latifundiários subiram esses rios queimando matas, cortando árvores e fazendo um mar de cana. Posteriormente o algodão, quando a guerra civil americana empurrou para cima os preços do produto. O mais importante era o Itapecuru, um rio polvilhado de cidades na sua margem, com navegação a vapor e depois ferrovias. Sua principal cidade, Caxias, deu origem ao título que um personagem importante do Império recebeu. Em 1872 quando do primeiro censo São Luís tinha um produto bruto maior que São Paulo capital. Era a época dos casarões de quatro andares.
A região para a qual eu ia não tinha nada disso. Pelo contrário, como dizem os prospectos para turistas, os Lençóis Maranhenses “são o único deserto brasileiro”. São uma sucessão de dunas salpicadas de lagos em forma de meia-lua que se enchem durante a estação chuvosa. Essa morraria (é assim que o povo a chama) se estende de forma absolutamente uniforme no sentido do sudoeste, o sentido do vento. A cidade mais próxima, Barreirinhas, era uma espécie de oásis porque é contada por um rio, o Preguiças. Segundo a “Enciclopédia dos municípios brasileiros” de 1959 era um refúgio dos negros fugidos. A cidade sofreu muito com a Balaiada, na década de 1830. Seu rebanho de gado foi todo dizimado, a enciclopédia não diz se por vingança ou por que os exércitos que passavam se alimentavam dos bois. Curiosamente a falta de terreno para a agricultura que fez com a região ficasse abandonada hoje é sua grande atração – os turistas vêm ver o areal. E com o declínio dos preços do algodão e pouco depois com a abolição da escravatura – os escravos eram os que trabalhavam para valer – o Maranhão teve sua indústria e prosperidade desmanteladas.
Raimundo Lopes não viveu muito. Na década de 1930 dava radioaulas na Rádio MEC sobre geografia, que depois foram coletados por um seu irmão e publicados sob o nome “Antropogeografia – suas origens, seu objeto, seu campo de estudo e tendências”. Este livro é responsável pela terceira e última menção a Raimundo Lopes da Cunha existente na Internet. Morreu em 1941, com apenas quarenta e dois anos de idade, quando trabalhava no Museu Nacional. Anos depois a SUDEMA pediu permissão a sua viúva Graziella Costa Lopes da Cunha, residente no Rio como toda a família, para a publicação de Uma Região Tropical, que anos depois fui encontrar num canto dum sebo de São Luís. Alguma coisa que restou de uma mente brilhante, que me deu linguagem para que eu pudesse ver além das praias e folhetos.

Raimundo Lopes na Internet:
http://www.iphan.gov.br/bancodados/arqueologico/mostrasitiosarqueologicos.asp?CodSitio=5431
http://www.iphan.gov.br/bancodados/arqueologico/mostrasitiosarqueologicos.asp?CodSitio=5434
http://acd.ufrj.br/museu/bibliote/revimn96.txt

24 de novembro de 2009

Boston Children's Museum


300 Congress Street
Boston
(617) 426-6500
Open daily 10am – 5pm, Fridays until 9pm
www.bostonchildrensmuseum.org

Boston Children’s Museum is the place for children and the adults in their lives to experience the fun of learning. With three floors of exciting exhibits and activities, there is something for every child, from the aspiring artists and actors to the budding engineers and scientists—to enjoy. Museum visitors can scamper up the three-story climb, play on the light-up dance floor, and create their own artwork. The Museum also holds special events throughout the year that focus on different cultures, the environment, science, and other topics. As an early museum experience for children, Boston Children’s Museum encourages imagination, curiosity, questioning, and realism.

CHILDREN'S MUSEUM OF MANHATTAN


About the Children's Museum of Manhattan

The mission of the Children's Museum of Manhattan (CMOM) is to inspire children and families to learn about themselves and our culturally diverse world through a unique environment of interactive exhibitions and programs.
Last year, CMOM served more than 350,000 people, which included 65,000 children who visited the Museum as part of a school group or through one of the Museum’s off-site partners. CMOM is committed to making its exhibits and programs available to all, and with nearly 50 sites around New York City, we continually reach thousands of families who might not otherwise be able to benefit from our services.
CMOM’s four priority areas are meant to impact children in ways that will last a lifetime: early childhood education prepares children to enter kindergarten; creativity in the arts and sciences inspires creative and analytical thinking skills for lifelong learning; healthy lifestyles programs provide a blueprint for a family's physical, emotional and environmental well being; and the exploration of world cultures gives children awareness, understanding and context for the diverse society they are part of. These priorities are met through exhibitions, classes, workshops, performances and Museum-sponsored festivals.
CMOM’s programs and exhibits are designed to address the multiple ways children learn and to help parents understand and support their children’s development. This approach is reflected in all the Museum’s exhibits, including the celebrated PlayWorks™ floor for pre-schoolers, Gods, Myths and Mortals: Discover Ancient Greece designed as an introduction to art, science and literature; and the Healthy Living programming produced with healthcare providers to encourage good nutrition and daily exercise. Professional Development training is offered to early childhood and school educators as a means to broaden CMOM’s influence in reaching children and their families effectively.
Every week over 80 workshops, classes and performances are offered free with admission to the Museum, deepening the CMOM experience with related literacy-based activities, diverse cultural experiences and the performing arts. Every CMOM program is based on research, evaluation and testing.

2 de agosto de 2009

ECOMUSEU 'DEVIR CRIANÇA'



Evento: Mestres e Conselheiros (UFMG/2009)

ECOMUSEU DEVIR CRIANÇA:
Ação cultural no âmbito das heranças sociais no mundo infanto-juvenil.

"Do Passado Emergirão as Crianças do Futuro". Wilhelm Reich.

Esta proposta de comunicação originou-se de experiências em pesquisa e extensão universitária desenvolvidas pelo Projeto de Ação Cultural “Teatro das Memórias Sociais”, no Bairro do Desterro em São Luís/MA, desde o ano de 2004. Esse projeto teve como proponente a Associação de Moradores do Centro Histórico e contou com o apoio da Fundação Municipal do Patrimônio Histórico. Inicialmente nossos trabalhos foram promovidos de acordo com os métodos da ‘História das Cidades e dos Sítios Históricos’ (Living History). Contudo, após uma leitura mais crítica desses procedimentos, desenvolvemos outras técnicas em que a forma criativa de ensinar pudesse ser aplicada de forma mais ativa, superando “o falso amor ao passado”, próprio da civilização urbana moderna (Lévi-Strauss). Num contexto de “crise das significações sociais” (Durkheim & Castoriadis) observa-se difundir e disseminar uma “crise do futuro”, em que viceja e recrudesce um “retorno ao passado”, como uma fuga nostálgica: “quando o futuro está doente, acaba ocorrendo um retorno ao passado” (Morin). Para haver um investimento simbólico no futuro é necessário que no presente o passado venha como algo já vivido, entrelaçado às elaborações e conquistas na construção de referências identificatórias (Aulagnier). A herança recebida passa por um processo de identificação e historicização que nomeia e inscreve em cada singularidade uma pertença no presente com abertura para a criação de ideais futuros do sujeito em formação. A partir desse trabalho de pesquisa-ação sobre novas práticas museológicas e também de reflexões sobre o mundo psico-cultural infanto-juvenil, constatou-se que os impasses e obstáculos epistemológicos (Bachelard) presentes no início do trajeto só poderiam ser ultrapassados numa interface dialógica entre Antropologia (Culturanálise) e Psicanálise. Diálogo que está fundado em uma reflexão sobre as formações subjetivas e o laço social a partir do imaginário e do simbólico (Lacan), pois detectou-se que a crise do futuro aponta para uma quebra simbólica no campo subjetivo dos registros de nomeação e do sentimento de pertença. Nossa proposta para esse evento leva em conta tal diálogo para que se possa levar a frente um processo de transmissão das heranças culturais e das memórias sociais em que a criança e o jovem sejam convidados a serem introduzidos no laço social, aprendendo de forma participativa, criativa e imaginativa, ao invés de ser objetalizada em técnicas de entretenimento coisificantes. Nosso objetivo, então, é o de escapar da ‘museomania’ romântica: o EcoMuseu ‘Devir Criança’ investe em outra direção. Trata-se de buscar novas práticas culturais e museológicas inspiradas nos movimentos da década de 1960-70, quando se deu o início à Nova Museologia e as propostas de criação dos EcoMuseus. Foi o começo de um longo enfrentamento contra a museologia tradicional e convencional. Como em nosso país o paradigma convencional é ainda dominante, nosso trabalho enfrentou de imediato uma forte resistência em relação ao Signo-Museu. Desafortunadamente, não temos disseminado em nosso contexto sócio-cultural uma visão na qual o museu é reconhecido como uma instituição viva, que faz pesquisa, produz novos conhecimentos e vinculada ao sistema de lazer, formação, criação artística e científica. Esse cenário dificultou nosso trabalho, mas não foi um obstáculo intransponível.

Palavras-chave:
Culturanálise – Ação Cultural – Laço Social – Museologia – Mundo Infanto-Juvenil

Autores:
Adriana Cajado Costa: Psicóloga/Psicanalista. Mestre e Especialista em Psicologia Clínica (PUC/SP). Doutoranda em Psicanálise (UERJ). E.mail: adricajado@hotmail.com
Alexandre Fernandes Corrêa: Professor Associado de Antropologia (DEPSAN/UFMA), Doutorado em Ciências Sociais: Antropologia (PUC/SP). Pós-Doutorado: Antropologia (UFRJ/CNPq & UERJ). Membro do Programa de Pós-Graduação e Cultura e Sociedade (UFMA). Conselheiro de Cultura do Estado do Maranhão. E-mail: alexandre.correa@cnpq.pq.br

Internet:
GPEC: http://gpeculturais.blogspot.com/
LAPSU: http://psicanalisesaudemental.blogspot.com/